O Professor

Prof. Dr. Fernando Guedes

Médico, professor, palestrante e escritor, com atuação voltada à interface entre a prática clínica, o pensamento médico e a compreensão ampliada do cuidado em saúde.

Biografia

Formação e Trajetória

Médico formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), onde também concluiu seu mestrado e doutorado, o Dr. Fernando Guedes é médico, professor, palestrante e escritor, com atuação voltada à interface entre a prática clínica, o pensamento médico e a compreensão ampliada do cuidado em saúde.

Possui formações complementares em Psicologia Analítica, Psicossomática, Filosofia Médica e Medicina Narrativa, o que fundamenta uma abordagem clínica que reconhece a complexidade da experiência humana no processo de adoecimento.

Com sólida formação acadêmica e trajetória dedicada à clínica, ao ensino e à produção intelectual, sua prática se orienta por uma visão que ultrapassa os limites do modelo exclusivamente biomédico, compreendendo o paciente como sujeito inserido em uma história, em uma linguagem e em uma experiência singular.

Origens

O Menino de Bauru

Fernando é um menino que nasceu em Bauru — silencioso, quieto, observador, introspectivo, intuitivo, profundamente intuitivo.

Desde muito cedo, carregava dentro de si uma certeza difícil de explicar: queria ser médico, sábio e cientista. Não sabia exatamente o que isso significava. Não havia médicos na família, nem referências claras. Ainda assim, essa ideia já estava presente — como um chamado interior.

Certa vez, ao ser questionado pelo pai sobre que tipo de cientista gostaria de ser, respondeu com simplicidade: “Quero ser cientista de livro, cientista de pessoa.” Nessa frase, dita ainda na infância, já se revelava uma intuição rara — a busca por um conhecimento voltado não apenas às coisas, mas às pessoas.

Era um menino que encontrava nos livros e no silêncio um lugar de pertencimento. Estudava pela manhã e, nas horas livres, frequentava as bibliotecas das escolas que frequentava — espaços onde o pensamento começava a se formar.

Sua formação inicial, em um colégio paroquial de tradição salesiana, trouxe não apenas conhecimento, mas também valores humanos e espirituais que o acompanhariam por toda a vida.

Fora dos livros, exercitava disciplina e concentração: era um excelente jogador de xadrez e se destacava na natação, chegando ao segundo lugar no ranking regional nos 1500 metros nado livre.

Entre suas leituras, uma o marcou profundamente: Os Doze Trabalhos de Hércules, de Monteiro Lobato, por onde conheceu a mitologia e o universo simbólico.

Havia também uma inspiração silenciosa: o doutor Alípio, um médico conhecido apenas pelas histórias da família, descrito como um homem de grande sabedoria. Foi ali que nasceu um ideal — o de unir conhecimento e humanidade.

Assim, entre o silêncio, os livros e os sonhos, começava a se formar o menino de Bauru que, anos mais tarde, se tornaria o Professor Dr. Fernando Guedes.

Formação

Os Meus Mestres

Fernando, aquele menino introspectivo e intuitivo que acabara de ingressar na Faculdade de Medicina da USP, encontrou um mundo que o surpreendia — e o desorientava. Havia técnica, rigor e exatidão, mas faltava aquilo que ele mais buscava: o sentido humano da medicina.

Foi nesse momento que dois mestres transformaram sua trajetória.

O professor doutor Charles Edward Corbett, decano da faculdade, era silêncio, escuta e profundidade. Em sua sala, acolhia dúvidas e inquietações com calma e presença. Não oferecia respostas prontas — oferecia direção. Era conselheiro. Sua palavra reorganizava, equilibrava, apontava caminhos.

O professor Carlos da Silva Lacaz era o oposto complementar: energia, presença, intensidade. Suas aulas magistrais reuniam centenas de alunos e iam muito além do ensino — eram experiências que despertavam, mobilizavam, davam vida à medicina. Sua palavra não apenas ensinava; ela permanecia.

Entre o silêncio de Corbett e a força de Lacaz, Fernando reencontrou o que buscava desde o início: compreender que a medicina não se faz apenas com conhecimento, mas com presença, escuta e humanidade.

Anos mais tarde, já formado, retornou à faculdade para agradecer. Conseguiu registrar um encontro com Lacaz. Com Corbett, não foi possível — ele já estava adoentado.

Trajetória

Vida Acadêmica

Na vida acadêmica, Fernando construiu uma trajetória marcada por participação ativa, liderança e reconhecimento.

No Centro Acadêmico Oswaldo Cruz, iniciou como preceptor da farmácia e, posteriormente, tornou-se diretor — um espaço central da vida estudantil na Faculdade de Medicina da USP. Nesse período, participou também da fundação da Liga de Anestesia, ao lado do professor Charles Edward Corbett.

Destacou-se de forma expressiva no xadrez, área em que encontrou afinidade natural com seu pensamento estratégico e concentrado. Recebeu dois Troféus Caveira — a mais alta distinção concedida aos alunos da faculdade —, sendo um como melhor diretor de modalidade esportiva e outro como melhor enxadrista. Conquistou ainda o segundo lugar na Olimpíada de Xadrez da USP e foi premiado duas vezes na tradicional competição universitária MacMed.

Ao longo de toda a graduação, manteve participação ativa na Associação Atlética Acadêmica Oswaldo Cruz, consolidando uma formação que uniu disciplina, envolvimento institucional e excelência.

Mais do que títulos e conquistas, esses anos revelaram a continuidade de algo que vinha desde o início: o menino introspectivo de Bauru encontrava, ali, forma e direção.

E a medicina deixava de ser apenas um ideal — para se tornar um caminho.

Atuação

Pensamento e Prática

Ao longo de sua trajetória, tem se dedicado à construção de um pensamento médico que integra diferentes formas de conhecimento, valorizando tanto a dimensão científica quanto os aspectos subjetivos, éticos e relacionais do cuidado.

É idealizador do Instituto de Formação Humanística em Saúde, iniciativa voltada à formação de profissionais que buscam uma prática mais consciente, reflexiva e humanizada.

No campo da produção intelectual, é autor de obras que abordam temas como o pluralismo epistemológico na medicina, a intuição clínica e o encontro terapêutico, contribuindo para uma reflexão contemporânea sobre os limites e as possibilidades do saber médico.

Como palestrante, aborda temas relacionados à medicina humanística, à formação médica, à clínica ampliada e aos fundamentos do cuidado, levando ao público reflexões que articulam ciência, experiência e sentido.

Sua atuação abrange ainda a docência, a mentoria e a consultoria, sempre com foco na formação de profissionais capazes de sustentar uma prática clínica mais profunda, crítica e verdadeiramente humana.

Experiência

Atuação ao lado de instituições e especialistas de referência

Participação em eventos, pesquisas e projetos com profissionais de destaque

Nacionais

Orsini Valente​

Dante Gallian

Wilson Catapani

Daniel Muñoz

Paulo Saldiva

Marco Ackerman e Wilson Catapani

Leonardo Boff

Cristiano de Abreu

Eduardo Giannetti

Olinda do Carmo Luiz

Internacionais

49º COBEM

MOMENTO HISTÓRICO

O dia em que a Medicina Baseada em Intuição (MBI) foi apresentada à Medicina Baseada em Evidência (MBE) marcou um ponto de virada na prática médica.

Em 13 de novembro de 2011, durante o 49º Congresso Brasileiro de Educação Médica (COBEM), realizado em Belo Horizonte, ocorreu um encontro significativo para a medicina brasileira.

No Simpósio VII — “A Construção da Excelência no Atendimento Clínico” — o Prof. Dr. Álvaro Nagib Atallah (UNIFESP/EPM), uma das maiores referências mundiais em Medicina Baseada em Evidência, dialogou com a proposta apresentada pelo Prof. Dr. Fernando Guedes: a Medicina Baseada em Intuição (MBI).

A presença e o reconhecimento da comunidade científica conferiram a esse debate um caráter singular, consolidando-o como um marco importante na reflexão sobre a prática médica contemporânea.

Pela primeira vez, a intuição clínica foi apresentada de forma estruturada, em diálogo direto com a evidência científica.

Mais do que um debate, esse momento representou o início de uma conversa necessária entre dois pilares essenciais do cuidado médico: a evidência e a experiência.